A etapa de trabalho voluntariado extracurricular para a formação do aluno é de extrema importância e Carolina Fátima Gioia Nava, do 8º período de Medicina do Centro Universitário Alfredo Nasser – Unifan, vivencia isso diariamente. Ela se inscreveu no Voluntariado Einstein Goiânia há um ano e meio e hoje atua também como coordenadora do setor de Apoio ao Cliente dentro do programa do Hospital.
Carolina conta que desde a infância, sempre sentiu um desejo muito genuíno de cuidar, acolher e servir ao próximo. Com o tempo, segundo a discente, percebeu que essa vontade fazia parte de sua essência, e encontrou no voluntariado uma forma concreta de transformar esse sentimento em presença, escuta e cuidado.
A aluna da Unifan afirma que conheceu o Voluntariado Einstein pelas redes sociais e seu ingresso no programa aconteceu por meio de um processo seletivo.
Hoje ela dedica cerca de quatro horas semanais às atividades voluntárias, conciliando essa rotina com a exigência do curso de Medicina.

“Atuo no Einstein Goiânia, no setor de Apoio ao Cliente, realizando acolhimento de pacientes e familiares desde a recepção até os consultórios. Nosso trabalho vai muito além de orientar trajetos ou esclarecer dúvidas: acompanhamos pessoas emocionalmente em momentos marcados por medo, ansiedade e insegurança. Dentro de um hospital, pequenos gestos possuem uma força imensa. Um sorriso sincero, um olhar atento, uma conversa tranquila ou até um silêncio acolhedor podem transformar completamente a experiência de alguém que está fragilizado. E é justamente esse o nosso propósito: tornar um momento difícil um pouco mais leve, mais humano e menos solitário.
Também desenvolvemos ações de humanização voltadas para pacientes e colaboradores, proporcionando momentos de acolhimento e leveza por meio de atividades simples, como distribuição de livros de colorir e interações afetivas. Como coordenadora, organizo mensalmente essas ações junto aos voluntários, buscando fortalecer um ambiente mais humano e acolhedor para todos que circulam pelo hospital”, pontua Carolina.
O Voluntariado Einstein
Quem já passou pelo Einstein Morumbi, Einstein Goiânia, Unidades Externas (Alphaville, Ibirapuera e Perdizes) ou pelos Hospitais Municipais M’Boi Mirim, Vila Santa Catarina, Aparecida de Goiânia e no Hospital Ortopédico do Estado da Bahia certamente notou a presença marcante de mulheres e homens vestindo aventais cor-de-rosa ou camisetas brancas com a marca do Voluntariado. Esses voluntários, unidos por um propósito comum, dedicam-se a transformar o ambiente hospitalar em um espaço mais acolhedor e repleto de esperança.

A história do Voluntariado Einstein começou junto com a fundação da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (SBIBAE). Um grupo de médicos e empresários, liderados pelo professor Dr. Manoel Tabacow Hidal, reuniu-se com integrantes da comunidade judaica com a proposta de construir um hospital de alto padrão. Esse hospital atenderia a todos, sem distinção de raça, cor, credo ou religião.
Com o início da construção do hospital, foi criado o Departamento Feminino da SBIBAE, liderado por Judith Schachnik, com o objetivo de apoiar a arrecadação de recursos para viabilizar a obra. Elas organizaram diversas ações, como leilões de arte, desfiles de moda, bazares, shows e bingos, sempre com o propósito de apoiar a construção do hospital. Devido ao crescente número de participantes, o Departamento Feminino passou a se chamar Corpo de Voluntárias. Nesse período, as voluntárias começaram a se envolver com a comunidade de Paraisópolis, conhecendo de perto as necessidades e a realidade local.

Em abril de 1969, o Corpo de Voluntárias deu início a um trabalho contínuo e impactante nas atividades assistenciais, com a criação do Ambulatório de Pediatria Assistencial. Em 28 de julho de 1971, foi inaugurado oficialmente o Hospital Israelita Albert Einstein. Nesse mesmo momento, o Corpo de Voluntárias passou a se chamar Departamento de Voluntárias. O Voluntariado Einstein alcançou um marco importante ao se tornar a primeira instituição filantrópica da América Latina a obter a certificação ISO 9001.
Hoje, mais de 650 voluntários atuam nas dez unidades e 77 setores, dando continuidade ao legado de solidariedade que começou em 1955.

Para Telma Sobolh, presidente do Voluntariado Einstein, essa troca é um dos maiores ganhos. “Quando estudantes e profissionais se colocam nesse lugar do voluntariado, eles ampliam o olhar sobre o cuidado. Não se trata apenas de técnica, mas de entender o paciente como um todo. E isso retorna em forma de profissionais mais preparados, sensíveis e conscientes do seu papel”, afirma.

Nesse contexto, o voluntariado se torna uma extensão prática da formação em saúde. “Estudantes têm a oportunidade de vivenciar, na prática, situações reais de acolhimento, apoio emocional e interação com pacientes e familiares, sempre respeitando limites éticos e técnicos. Essa experiência contribui diretamente para o desenvolvimento de habilidades comportamentais fundamentais, como escuta ativa, trabalho em equipe e inteligência emocional”, acrescenta Telma.
Carolina Gioia comenta com empolgação sobre o aprendizado que está absorvendo com essa experiência.
“O voluntariado ampliou profundamente o meu olhar, tanto como pessoa quanto como futura médica. Passei a enxergar o paciente em sua totalidade, desde a chegada — nas mãos trêmulas, no olhar ansioso, no silêncio carregado de medo — entendendo que o cuidado começa muito antes do consultório e vai muito além dele. Aprendi a valorizar os detalhes e a responder a eles com sensibilidade, desenvolvendo uma escuta mais atenta e empática. Muitas vezes, o que o outro precisa não é de uma solução imediata, mas de um espaço seguro para se sentir acolhido. Também passei a reconhecer ainda mais a importância de toda a equipe, entendendo que cada profissional é essencial na experiência do paciente. Acima de tudo, o voluntariado me ensina, todos os dias, a nunca perder a humanidade dentro da Medicina — lembrando que, por trás de cada caso, existe uma história, uma família e sentimentos que precisam ser cuidados.”


