
Professores dos cursos de saúde da Unifan participam de capacitação de IA
15/04/2026
Acadêmicas de Odontologia da Unifan participam da Semana de Saúde do TRT-GO
16/04/2026Na última terça-feira (14/04), o Bloco do Direito sediou a ação de (re)conhecimento e a mesa redonda “VAMOS CONVERSAR SOBRE RACISMO RELIGIOSO? LAICIDADE E AS VIVÊNCIAS E CONFLITOS EM PERSPECTIVAS DESIGUAIS”, como parte da XII Semana Internacional de Integração Jurídica do Instituto de Ciências Jurídicas, organizada pelos professores Fernando Turchetto e Alexandre Azevedo, com apoio do NESTADI – Núcleo de Estudos e Ações para Diversidade.
A atividade foi proposta pelo professor Marcos Reis, integrante do grupo de estudos em espiritualidades, religiosidades e enfrentamento às intolerâncias da Universidade Federal de Goiás (UFG), e contou com a participação do Defensor Público do Estado de Goiás, Breno de Araújo de Assis, além de representantes de diferentes tradições religiosas: Izaias Torquato (reverendo anglicano e assessor do Centro de Estudos Bíblicos), Carlos Eduardo da Silva Colins (pesquisador em antropologia e doutorando em Direitos Humanos), Pablo Roberto Faria de Morais (sacerdote de Umbanda no Terreiro Luz de Nzambi), Jacinta de Fátima Cavalcante Chaves (psicóloga e colaboradora na Casa Pastor Edson Santana), Rowena LaFey (matriarca do Clan Corvos da Colina e presidente do Projeto Gaia Paganus), Butsugen Andō (monge zen-budista e responsável pelo Templo Yūkō-Ji), Angiza Maryem (refugiada afegã, mestranda na UFG e diretora da Afghanistan Initiatives for Girls and Women) e Aibrya Lorena (Yalorishá).
A ação de (re)conhecimento ocorreu entre 17h30 e 19h, promovendo interação direta entre lideranças religiosas e o público. Em seguida, na sala 102, a mesa redonda reuniu cerca de 70 estudantes dos cursos de Direito e Psicologia, com relatos sobre experiências de intolerância religiosa.
O professor Marcos destacou: “A forma mais eficiente de desarticular o preconceito é produzindo o conhecimento concreto. É confrontando a ignorância com relacionamentos reais”. O reverendo Izaias Torquato complementou: “Nosso objetivo não é produzir a tolerância. Porque ela é passiva e mantém os indivíduos isolados. Nosso objetivo é resistir a intolerância”.
Entre os relatos, o sacerdote Pablo Roberto Faria de Morais mencionou denúncias reiteradas ao seu terreiro e tratamento desigual por órgãos públicos. A Yalorishá Aibrya Lorena afirmou: “Eles foram na porta da minha casa e me jogaram um balde de água. Porque eu sou filha de Jurema. Eu tenho medo de usar meus acessórios e guardo pra usar no terreiro…”. Já Angiza Maryem relatou episódio de preconceito em ambiente acadêmico: “o colega falou para a professora: não faça uma atividade tão difícil porque se não a Angiza explode a gente…”.
As estudantes também destacaram a relevância do evento. Meire Moreira, do sétimo período de Direito, afirmou: “A palestra evidenciou como a intolerância religiosa fere o pilar da Dignidade da Pessoa Humana […] Como acadêmicos de Direito, nossa missão é impedir que o preconceito continue a fragilizar as garantias constitucionais”. Daniella Rosa, do décimo período de Psicologia, ressaltou: “O que mais me cativou no evento foi a possibilidade de um diálogo aberto e horizontal entre líderes de diferentes religiões […] fortalecendo uma postura ética de respeito às múltiplas formas de ser e estar no mundo”.
Kemyle Alves, do décimo período de Psicologia, avaliou: “Participar da mesa sobre o racismo religioso foi uma experiência muito importante, principalmente pela diversidade de vozes presentes. Esse encontro reforçou como ainda é urgente discutir e enfrentar a intolerância religiosa e valorizar espaços de escuta e respeito entre diferentes crenças”. Sobre a fala do monge zen, acrescentou: “aceitaria passar por isso para compartilhar a dor dos demais”, destacando o caráter coletivo do enfrentamento ao racismo religioso.
Com auditório lotado e ampla participação, o evento atingiu seu objetivo de promover reflexão crítica e diálogo inter-religioso, com previsão de novas edições no próximo semestre.
REGISTRO FOTOGRÁFICO:






