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Publicado por: Assessoria de Imprensa

em: 04/08/2026

Projeto Rondon transforma a trajetória de estudante de Medicina da Unifan durante missão no Pará

A participação na Operação Carimbó, do Projeto Rondon, marcou profundamente a formação da acadêmica de Medicina Carolina Fátima Gioia Nava, de 29 anos, estudante do 9º período do Centro Universitário Alfredo Nasser (Unifan). Integrante da equipe que atuou no município de Bagre, no arquipélago do Marajó (PA), ela descreve a experiência como um divisor de águas em sua vida pessoal e profissional.

Segundo Carolina, o desejo de participar do Projeto Rondon surgiu ainda no início da graduação. Quando teve a oportunidade de integrar a missão, decidiu encarar o desafio de conhecer uma realidade diferente e aplicar, na prática, os conhecimentos adquiridos na universidade.

“O conhecimento só ganha verdadeiro sentido quando é compartilhado e colocado a serviço das pessoas”, afirma. Para ela, a principal missão era promover educação em saúde e contribuir para que a comunidade se tornasse protagonista do próprio cuidado.

Carolina Gioia: “O conhecimento só ganha verdadeiro sentido quando é compartilhado”

As expectativas, segundo a estudante, foram superadas. “Existe uma Carolina antes e depois do Projeto Rondon”, resume. Durante a operação, ela conheceu de perto a realidade de Bagre, município que reúne grande riqueza cultural e humana, mas também enfrenta importantes desafios sociais e de acesso à saúde.

A rotina da equipe foi intensa. Antes do início das atividades, os participantes passaram por uma semana de preparação em Marabá (PA), com treinamentos e orientações promovidos pelo Exército Brasileiro. Em Bagre, durante 11 dias, os universitários realizaram oficinas de educação em saúde tanto na zona urbana quanto na zona rural. Ao fim de cada jornada, as equipes se reuniam para avaliar os resultados, compartilhar experiências e adaptar as ações às necessidades identificadas na comunidade.

Entre os momentos mais marcantes da missão, Carolina destaca o acolhimento de uma criança em situação de extrema vulnerabilidade. Sem possibilidade de resolver imediatamente toda a situação enfrentada pela vítima, a equipe concentrou seus esforços em oferecer escuta, acolhimento e um ambiente seguro.

“Naquele momento compreendi que cuidar nem sempre significa resolver um problema. Muitas vezes, significa permanecer ao lado, acolher a dor do outro e oferecer um pouco de esperança quando tudo parece faltar”, relata.

A estudante também relembra uma oficina sobre saúde da mulher, quando uma participante revelou que havia realizado uma mamografia, mas não tinha coragem de abrir o resultado do exame por medo do diagnóstico. Após a atividade sobre prevenção e diagnóstico precoce, a mulher decidiu abrir o envelope.

“A educação em saúde não transmite apenas informações; ela pode devolver autonomia, esperança e coragem para enfrentar aquilo que antes parecia impossível”, afirma.

Durante a operação, um dos principais desafios foi adaptar o conteúdo aprendido na universidade à realidade local. A equipe precisou rever metodologias, adequar a linguagem e construir as atividades em conjunto com a comunidade, respeitando aspectos culturais e sociais.

Para Carolina, o principal legado deixado pelo Projeto Rondon foi o fortalecimento da autonomia da população por meio da educação popular em saúde. As oficinas abordaram temas como saúde mental, prevenção de doenças, primeiros socorros, saúde da mulher, saúde bucal, acidentes e parasitoses, sempre buscando estimular o protagonismo dos moradores.

Ela destaca ainda que algumas iniciativas iniciadas durante a operação começaram a gerar desdobramentos no município, como discussões sobre protocolos de inclusão e saúde mental nas escolas.

Na avaliação da acadêmica, a experiência fortaleceu tanto sua formação técnica quanto humana. Além de ampliar habilidades como comunicação, trabalho em equipe, atuação multiprofissional e adaptação a diferentes contextos, o projeto reforçou a importância da escuta qualificada e do acolhimento.

“O paciente nunca é apenas um diagnóstico. Cada pessoa possui uma história, uma família, uma realidade e desafios próprios”, ressalta.

Ao recomendar a experiência para outros universitários, Carolina afirma que o Projeto Rondon representa uma das vivências mais enriquecedoras da formação acadêmica.

“Entramos acreditando que iremos ensinar e voltamos compreendendo que aprendemos muito mais do que fomos capazes de transmitir. É uma experiência que transforma não apenas a formação profissional, mas também a maneira como enxergamos o cuidado, a cidadania e o nosso papel na construção de uma sociedade mais humana.”

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